Como começar a vender sex shop

Vender sex shop é um empreendimento muito tentador para começar. No entanto, é envolto de muitas concepções que acabam deixando muitos iniciantes desanimados e muitos acabam ficando pelo caminho.

A primeira concepção errada é a de que o produto em si vende sozinho por conta da demanda. Lembra quando no início da pandemia, aconteceu aquele boom de procura de vibradores? Pode até ter tido pessoas que lucraram muito aproveitando a onda de procura fazendo trabalho nas redes sociais e vendendo direto para clientes.

No entanto, quem realmente lucrou foram as lojas que já tinham um e-commerce e estavam posicionadas para serem encontradas em pesquisa e com estoque para atender todo mundo com possibilidades de crescimento.

Quem faturava R$ 1 milhão, passou a faturar mais. Quem fazia R$ 300.000 passou a fazer R$ 1 milhão e assim vai. Marcas que estavam ali desde 2017 ou quem tinha começado um ano antes da pandemia, ao menos.

São casos de quem tinha loja física e conseguiu acelerar sua presença digital, quem já tinha uma equipe de atendimento para lidar com pedidos, logística de entrega, formas de pagamento facilitadas, uma marca confiável, etc. Tudo isso leva tempo para ser construído. Não é da noite para o dia.

Para chegar neste estágio é preciso passar por uma série de etapas. Por mais que negócios possam ter aproveitado a oportunidade, sua existência a longo-prazo depende de organização financeira, ter uma reserva, plano de expansão e mais.

Se você começou naquela época e o negócio ainda está em dia. Parabéns! No entanto, vamos tirar a ideia de que vender sex shop é um negócio simples e fácil.

Aliás, é um dos mais difíceis por lidar com questões tabu, de dificuldade em fazer anúncios, ter uma conta comercial no WhatsApp, de poder fazer um serviço de fidelização entre quem não quer ter seus dados ali depois, de quem compra escondido, entre outros empecilhos. Vender vibradores e cosméticos sensuais não tem a mesma facilidade de quem vende produtos tradicionais, por exemplo.

Você que chegou aqui, não desanime. Nós apenas queremos que você tenha uma ideia realista para que consiga fazer um planejamento adequado, consiga crescer pensando em pontos estratégicos e cuide de detalhes que serão essenciais na sua trajetória de sucesso como empreendor do ramo erótico.

Se fizer tudo certo, ter resiliência e não desistir, as chances de se dar bem nesse ramo são altos. São muitos os casos de exemplos bem sucedidos. Afinal de contas, o mercado está em crescimento constante.

Como começar a vender sex shop

Pontos para pensar e analisar antes de vender sex shop

Ter vontade, dinheiro para investir, uma idea inovadora que vai abalar o mercado, um instinto de que um nicho vai absorver sua ideia genial, um olhar aguçado para negócios, etc, etc.

Não sabemos o que te levou a querer começar a vender sex shop. Você tem uma loja de beleza, voltado ao público feminino e viu que vender produtos sex shop dá certo. Talvez, uma loja de lingerie, de cosméticos.

Já tem experiência com e-commerce e quer investir nesse ramo? Poderíamos ficar aqui colocando centenas de exemplos, mas vamos deixar direcionamentos básicos se ainda não sabe por onde começar, ok? Deixe nos comentários qual a sua situação e pensaremos em direcionamentos específicos.

1) Planejamento

Começar algo já é muito bom, pois se ultrapassa as barreiras do e se. Também não existe cenário perfeito. Você pode estar em um momento de desespero, ter recebido um bom dinheiro de rescisão e agora é a hora, seu emprego não pode estar mais rendendo o suficiente e viu que agora é a chance de se dedicar totalmente.

Qualquer momento é ideal para fazer seu planejamento de negócios. Tanto na fase inicial, no meio do caminho ou de forma avançada.

Este documento será essencial para conseguir começar, escalonar, identificar oportunidades, entre outros exemplos.

A boa notícia é que o Sebrae é uma organização que ensina a fazer um do zero com dicas bem legais para quem busca empreender.

Nós deixaremos esta pauta guardada para fazermos um guia do que deve ter no seu planejamento mais para frente por aqui também. Por enquanto, pense nisso como uma prioridade.

2) Profissionalização

Você já se regularizou? Esse é um dos primeiros passos para a profissionalização dos seus negócios. Colocar seu CNPJ ou MEI em dia possibilita emitir nota fiscal, contratar funcionário dando benefícios básicos, possibilidade de pedir um empréstimo.

Ter essa profissionalização também abre caminho para tentar investidores ou aceleradores. Lembra do planejamento, do modelo e de todos os aspectos? Com isso em mãos fica mais fácil para aberturas assim.

3) Ter ou não uma loja e-commerce

Essa é uma decisão que você vai ter que fazer em algum ponto do negócio. Ainda mais com a transição tecnológica que estamos passando.

No mundo pós pandemia as pessoas viram que estar presente online acabou sendo uma necessidade. Muitas lojas físicas que não tinham um e-commerce acabaram fechando.

As coisas melhoraram para as lojas físicas, mas essa tendência de compras online tende apenas a aumentar com a democratização da tecnologia, com melhores conexões, ampliação das redes de celular, internet das coisas, de comodidade, do fluxo das cidades inteligentes, entre outros.

As pessoas descobriram que comprar de casa é seguro, as entregas são rápidas e escolher seu produto no conforto e privacidade é muito bom.

Então, precisará decidir se terá uma forma de vender a distância. Ao final das contas, a loja e-commerce é um dos melhores moldes pela organização, profissionalização, facilidades de plugins, formas de atendimento, poder integrar um blog para melhorar o ranqueamento orgânico, entre outros fatores. É um investimento caro, mas acabará sendo essencial.

4) Investir em redes sociais

As redes sociais passam a ideia de que são muito fáceis de serem mantidas ativas, pois as postagens parecem rápidas e simples. No entanto, pensando no quesito profissionalização, temos que pensar nas redes dessa maneira também.

Ter um planejamento estratégico, calendário editorial, definição de linguagem, de assuntos, posicionamento ou manter os canais como atendimento e relacionamento. Cogite contratar alguém de planejamento estratégico, um social media para operar as redes, monitorar, fazer relatórios, um designer para traçar a identidade da marca, especialistas e um gerente de marketing digital.

5) Pensar na sustentabilidade

Com o mundo alinhado para atingir os objetivos do desenvolvimento sustentável, as novas gerações fazendo escolhas mais conscientes, entre outros fatores faz isso ser fundamental para o sucesso dos negócios.

Incluir a sustentabilidade na hora de escolher suas embalagens com papel reciclável e informar o consumidor é um detalhe que pode influenciar se os clientes comprarão ou não de sua marca.

Pense em como pode contribuir para o meio ambiente implementando um programa para recolher vibradores usados, plantar árvores, escolher métodos de produção com energia limpa, entre outros.

6) Trabalhar o branding

Trabalhar a marca não é para apenas os negócios maiores. Você como uma empresa precisa fazer branding também para criar confiança, autoridade e ter uma memória com feedback positivo para que as pessoas entrem na sua jornada como consumidores.

Se não existe verba para gastar com publicidade, pode fazer outros tipos de exposições perto da sua região ou usando a internet.

Já dissemos que existe uma dificuldade em fazer anúncios, mas não é impossível. Seguindo as diretrizes pode expor sua marca e atrelar conceitos chave.

Por exemplo, pode fazer parcerias para que sua marca possa ser exposta em feiras, em lojas parceiras, em pontos de venda, em banners.

Também pode fidelizar os seus clientes trabalhando a marca no pós-venda e no atendimento criando um diferencial entre os concorrentes gerando uma publicidade boca a boca com indicações.

7) Pense na segurança dos produtos

Por mais que pareça tentador escolher produtos de preço baixo para ter lucros maiores, essa ideia não se adequa ao padrão esperado pelos consumidores.

Você precisa pensar na segurança dos materiais, se ele é feito com substâncias tóxicas, se é poroso e isso influencia nos cuidados, se o produto tem ingredientes aprovados pela anvisa, entre outros fatores.

8) Embalagens bonitas e discretas

As embalagens fazem parte da apresentação dos produtos e a primeira forma de contato do produto. No começo aquelas discretas e sem referência ao negócio são essencais para preservar os compradores.

Afinal, ninguém quer indicar que comprou algo de um sex shop. No entanto, por fora daquela caixa básica de papelão você pode imprimir uma identidade neutra que faça referência a sua marca com uso de cores ou uma embalagem interior discreta que te diferencie dos concorrentes.

Por exemplo, pode fazer um saquinho de pano para a pessoa usar para guardar o vibrador sem referência ao mercado erótico, mas que seja exclusivo da sua marca.

Ou apostar em uma caixa de melhor qualidade por fora da padrão para dar uma melhor impressão com divisões internas, aonde pode colocar um manual de instruções, algum recado de melhor conservação e limpeza.

9) Fornecedor

O segredo para conseguir ter uma boa margem de lucro é ter um bom fornecedor que envie produtos de qualidade, com preços bons para revenda, que seja confiável quanto aos prazos.

No começo é normal ter que lidar com imprevistos até encontrar um, mas no processo do empreendimento nunca cesse sua busca por fornecedores que supram as necessidades do negócio, conforme for escalonando. Eles devem acompanhar cada estágio.

10) Organização financeira

Organizar as contas da empresa sabendo aonde o dinheiro está indo será fundamental. Não misture as contas da empresa com os gastos pessoais. Direcione a verba e se puder faça um caixa.

Você sabia que o destino das empresas que não tem reservas é a falência nos primeiros cinco anos? Vá até uma consultoria do Sebrae e se informe sobre apps que possam ajudar a controlar e organizar seus custos. Se não consegue fazer isso no começo, deixe isso para ser resolvido sem falta, quando puder.

11) Modelo de negócios

O modelo de negócios pode mudar, conforme avança. No entanto, é ideal que já comece a pesquisar alguns.

Os mais populares para quem começa é o de compra no atacado e revenda no varejo. Essa forma de ir comprando e vendendo acaba sendo o caminho do começo para muita gente.

Esse modelo é impactato por uma série de fatores como volume de demanda, preço dos fornecedores, ter que se preocupar com logística de entrega, saber o que vende ou não, ponto de contato de atendimento fica com você, marketing, organização das contas.

Você pode optar por droppshiping aonde o fornecedor se encarrega do fornecimento de produtos, atendimento e entregas.

Outro modelo de negócios é o de virar fornecedor fabricante produtos para vender no mercado e abastecer lojas. Tem o marketplace, mas a concorrência é muito maior.

12) Nicho

Um dos segredos para ser mais assertivo nas vendas e na comunicação da empresa é escolher um nicho. Seu negócio pode mirar em um público mais amplo, mas focar em grupos acaba sendo melhor.

Tem nicho de venda de luxo aonde direcionará sua comunicação com linguagem específica, alcançará clientes com alto poder aquisitivo. Em vez de vender 100 vibradores baratos, pode focar em vender 10 com ticket médio alto.

Levará mais tempo na construção da marca e conseguir dialogar com esse grupo, mas valerá a pena. O foco aqui serão exclusividade, luxo e ofertar produtos que condizam com as tendências de consumo.

Pode focar em grupos da comunidade LGBTQPIAN+ e escolher uma estratégia de vendas com mais criatividade em relação a comunicação, mas também levará tempo para se adequar a linguagem, ser aceito como uma opção para a comunidade, entre outros pontos.

Tem o nicho dos evangélicos, da geração Z consciente com wellness e ambiente, da geração Millenial que busca autoconhecimento e empoderamento, das gerações mais velhas, do BDSM, entre muitos outros.

13) Marketing e publicidade

Bem sem marketing o que diferencia o seu produto de outro concorrente? Olhe para o que você costuma colocar na sua cesta de mercado e saiba que as suas escolhas dependem de muitos fatores, além de preço.

Não à toa, que as marcas gastam verbas consideráveis para se destacar no mercado. Esse investimento não tem retorno imediato, mas será fundamental para moldar a visão das pessoas e influenciará as escolhas de compras no futuro. Gaste o proporcional com seus ganhos. Destine pelo menos 10% para essa parte, vá juntando e quando der faça algo.

14) Pós venda e atendimento

O trabalho da empresa não deve acabar no ciclo de venda concluída. Um dos grandes segredos é fazer com o que o cliente volte a comprar mais e mais. Conquistar o cliente foi uma primeira etapa importante, mas tão importante é fidelizar e encantar.

Por isso, será fundamental investir em atendimento de qualidade e continuar nutrindo o cliente com ações de pós-venda com o consentimento dele, claro. Você pode mascarar seus contatos pós-venda ou ter a autorização para enviar descontos e materiais educativos.

15) Logística de entrega

A parte da entrega impactará em muito como o consumidor percebe a marca. Tudo pode ter sido perfeito, mas se o produto demorar muito para chegar ou vier amarrotado deixará uma impressão negativa.

O bom é que o sistema dos correios é ótimo, mas você pode se surpreender com as taxas para entregas rápidas. Hoje em dia, as pessoas não tem muita paciência para esperar muitos dias.

Tem gente que espera produtos de forma emergencial para o dia e ser usado em festas e encontros. Então, além de um fornecedor ótimo, busque uma parceria com transportadora ou firme um acordo com marketplace.

O marketplace é um modelo de negócios em que uma loja de grande rede como Magazine Luiza ou Mercado Livre oferece o site como vitrine para vender os seus produtos.

O Mercado Livre tem um centro de logística de entrega em que um grande galpão recebe os produtos e de lá os envios acontecem de forma imediata para o cliente.

Pode fazer um acordo com um motoboy para entregar regional ou estabelecer um ponto de retirada do produto. Dê muitas opções de entrega aos seus clientes.

16) Estoque

No começo pode guardar os produtos em casa e fazer as entregas aos poucos considerando que tenha um espaço adequado. No entanto, se busca crescer as vendas, deverá ter um local para o estoque com iluminação adequada, controle de umidade e temperatura, que seja bem localizado e seguro. A não ser que busque um modelo de negócios que tercerize toda essa parte.

17) Tipos de produtos

Saber o que venderá vai depender muito do planejamento, do nicho, da observação de comportamento e das tendências, do uso de marketing adequado, de datas comemorativas, de ações com promoções. Ao passar do tempo, notará o que sai mais, também poderá colocar em prática algumas técnicas para fazer um produto sair e causar desejos.

Abordaremos as técnicas de venda e promoções em outro artigo, por enquanto vamos te informar algumas categorias que são interessantes.

Saiba que cosmético vende muito. Um vibrador líquido, uma solução de massagem, um lubrificante, um excitante, retardador. Tem muita variedade para colocar no seu kit.

Você pode investir em um pouco de cada para ter mais variedade ou apenas investir nos mais vendidos. Para saber isso precisará fazer uma pesquisa de mercado ou fazer uma pesquisa de palavras-chaves de produtos mais buscados.

Os vibradores são outro item que não pode faltar. Dos mais simples e baratos aos tecnológicos e mais caros. Tudo vai depender do seu poder de compra para estoque, do nicho.

Os acessórios, fantasias, lingeries e brinquedos variados também são opções, mas que dependerá muito em como oferecerá.

18) Produtos digitais e cursos

Vamos ir além e se quiser vender produtos digitais eróticos ganhará em espaço de estoque e facilitará a logística de entrega. Não estamos falando de pornografia, nem de conteúdos de entretenimento adulto, mas de conteúdos úteis.

Pode ser guia de produtos, testes para casais, brincadeiras, contos eróticos, áudios para vender com os produtos e mais. Imagine ter um guia de kama sutra ilustrado de forma temática em formato digital para vender junto com um set de lubrificante e anel peniano.

Pode oferecer de brinde para fidelizar e vender a versão mais completa. Existem várias formas de oferecer produtos digitais relacionados. Além disso, tem a possibilidade de oferecer cursos ligados a educação sexual ou ligados a questões íntimas femininas e masculinas, dar orientações para um chá de lingerie.

19) Pesquisa de mercado

Uma pesquisa de mercado te mostrará informações valiosas para dar direcionamento de quais produtos escolher e até mesmo oferecer algum serviço ou produto novo que atenda a demanda.

Se for mais além, pode co-criar os produtos, de acordo com as necessidades dos clientes e já entrar no mercado com algo que será absorvido rapidamente.

20) LGPD

A Lei Geral de Proteção de Dados é um aspecto importante na hora de começar a vender sex shop. Discrição é fundamental e o cliente precisa de certificações de que seus dados não serão armazenados, dando mais confiança e segurança.

O mercado erótico precisa lidar com fidelização, mas as ações devem ser coordenadas com a LGPD e se o cliente não quiser ser contatado depois é uma escolha dele. Se quiser fidelizar, pela autorização realizando um cadastro com este fim e deixe claro o que será enviado depois por e-mail.

Chegamos ao final da lista com muitos pontos interessantes para virar temas de novos artigos. Gostaríamos de saber sua dúvida, deixe nos comentários e considaremos colocar na pauta dos próximos. Deixe sua visita por aqui em dia.

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